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quarta-feira, 2 de julho de 2014

POETISA QUE ENTROU NO PANTEÃO.

LEMBRAR Sophia de Mello Breyner Andresen!

Os restos mortais da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen foram trasladados para o Panteão Nacional esta quarta-feira, no dia em que se assinala o 10.º aniversário da sua morte. Na cerimónia, foram elogiadas as qualidades literárias e humanas da poetisa, que entrou no Panteão sob uma salva de palmas. 
A POETISA
O Novelartecine e uma vasta equipa com apresentação de José Silva, vários cantores e artistas tiveram o prazer de participar no reconhecimento da poetisa SOPHIA DE MELLO BREYNER que muita Luz, verticalidade e magia teve, sempre presente quer na obra poética, quer na importante obra para crianças.
Sophia de Mello Breyner Andresen é, sem sombra de dúvida, um dos maiores poetas portugueses contemporâneos – um nome que se transformou, em sinónimo de Poesia e de musa da própria poesia.
Sophia nasceu no Porto, em 1919, no seio de uma família aristocrática. A sua infância e adolescência decorrem entre o Porto e Lisboa, onde cursou Filologia Clássica.
Após o casamento com o advogado e jornalista Francisco Sousa Tavares, fixa-se em Lisboa, passando a dividir a sua actividade entre a poesia e a actividade cívica, tendo sido notória activista contra o regime de Salazar. A sua poesia ergue-se como a voz da liberdade, especialmente em "O Livro Sexto".
Foi sócia fundadora da "Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos"e a sua intervenção cívica foi uma constante, mesmo após a Revolução de Abril de 1974, tendo sido Deputada à Assembleia Constituinte pelo Partido Socialista.
Profundamente mediterrânica na sua tonalidade, a linguagem poética de Sophia de Mello Breyner denota, para além da sólida cultura clássica da autora e da sua paixão pela cultura grega, a pureza e a transparência da palavra na sua relação da linguagem com as coisas, a luminosidade de um mundo onde intelecto e ritmo se harmonizam na forma melódica, perfeita, do poema.
Luz, verticalidade e magia estão, aliás, sempre presentes na obra de Sophia, quer na obra poética, quer na importante obra para crianças que, inicialmente destinada aos seus cinco filhos, rapidamente se transformou em clássico da literatura infantil em Portugal, marcando sucessivas gerações de jovens leitores com títulos como "O Rapaz de Bronze", "A Fada Oriana" ou "A Menina do Mar".
Sophia é ainda tradutora para português de obras de Claudel, Dante, Shakespeare e Europeízes, tendo sido condecorada pelo governo italiano pela sua tradução de "O Purgatório".
No dia 12 de Julho pelas 21:30 horas no café central em Castelo de Paiva, foi com grande emoção que se recordou a poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen, nascida no Porto, em 06 de Julho de 1919, no seio de uma família aristocrática, conforme retratado por José Silva.
Fascinante a firmeza, com que Ana Ribeiro fez questão em lembrar com dedicatória as suas cantigas a Sophia e a todas as mulheres.
Ela também uma maravilha a concluir muito bem, caso a seguir o seu exemplo.
Lembrei momentos de verdadeiras Mulheres com “M” maiúsculo, Sophia sempre ao lado do marido jornalista Francisco Sousa Tavares, passou em Lisboa a dividir a sua atividade entre a poesia e a atividade cívica, notando-se e sobressaído ativista contra o regime de Salazar.
Conforme bem vincado por José Sila, Sophia teve uma intervenção política empenhada, opondo-se ao regime salazarista (foi cofundadora da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos) e também, após o 25 de Abril, como deputada. Presidiu ao Centro Nacional de Cultura e à Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Escritores.
O ambiente da sua infância reflete-se em imagens e ambientes presentes na sua obra, sobretudo nos livros para crianças. Os verões passados na praia da Granja e os jardins da casa da família ressurgem em evocações do mar ou de espaços de paz e amplitude. A civilização grega é igualmente uma presença recorrente nos versos de Sophia, através da sua crença profunda na união entre os deuses e a natureza, tal como outra dimensão da religiosidade, provinda da tradição bíblica e cristã.
Na cidade do Porto cresceu e aí viveu até aos dez anos, altura em que se mudou para Lisboa. De origem dinamarquesa por parte do pai, a sua educação decorreu num ambiente católico e culturalmente privilegiado que influenciou a sua personalidade. Frequentou o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em consonância com o seu fascínio pelo mundo grego (que a levou igualmente a viajar pela Grécia e por toda a região mediterrânica), não tendo todavia chegado a concluí-lo.
A sua atividade literária (e política) pautou-se sempre pelas ideias de justiça, liberdade e integridade moral. A depuração, o equilíbrio e a limpidez da linguagem poética, a presença constante da Natureza, a atenção permanente aos problemas e à tragicidade da vida humana são reflexo de uma formação clássica, com leituras, por exemplo, de Homero, durante a juventude. Colaborou nas revistas Cadernos de Poesia (1940), Távola Redonda (1950) e Árvore (1951) e conviveu com nomes da literatura como Miguel Torga, Ruy Cinatti e Jorge de Sena.
Em 1968, foi publicada uma Antologia e, entre 1990 e 1992, surgiram três volumes da sua Obra Poética. Seguiram-se os títulos Musa (1994) e O Búzio de Cós (1997). Colaborou ainda com Júlio Resende na organização de um livro para a infância e juventude, intitulado Primeiro Livro de Poesia (1993).
A sua obra literária encontra-se parcialmente traduzida em França, Itália e nos Estados Unidos da América. Em 1994 recebeu o Prémio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores e, no ano seguinte, o Prémio Petrarca, da Associação de Editores Italianos. O seu valor, como poetisa e figura da cultura portuguesa, foi também reconhecido através da atribuição do Prémio Camões, em 1999.
Em 2001, foi distinguida com o Prémio Max Jacob de Poesia, num ano em que o prémio foi excecionalmente alargado a poetas de língua estrangeira.
Em Agosto do mesmo ano, foi lançada a antologia poética Mar. Em Outubro publicou o livro O Colar. Em Dezembro, saiu a obra poética Orpheu e Eurydice, onde o orphismo está, mais uma vez, presente, bem como o amor entre Orpheu, símbolo dos poetas, e Eurídice, que a autora recupera num sentido diverso do instaurado pela tradição helénica.
Sophia de Mello Breyner Andresen viveu até aos 85 anos, completaram-se 9 anos após a sua morte no dia 2 de Julho de 2004, tem o seu busto no Jardim de Campo Alegre, e um monumento erigido no Largo da Graça em Lisboa.
Uma grande poetisa, uma grande (M)ulher!



Novelas, 22 de Julho de 2010

Novelas, 14 de Julho de 2013

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